Transtorno de Pânico: sintomas, etiologia e tratamentos

Crise ou Ataques de Pânico X Transtorno de Pânico

Segundo o DSM 5 ataques ou crises de pânico, são surtos súbitos e abruptos de angústia ou medo intenso, que podem surgir de um estado calmo ou a partir de um estado ansioso, que alcança seu pico em minutos, durante o qual ocorrem 4 ou mais sintomas físicos e cognitivos dentre uma lista de 13 sintomas.

Já o Transtorno de Pânico é caracterizado por ataques de pânico inesperados e recorrentes, onde o acometido sente uma grande preocupação de ter um novo ataque, por isso, em muitas situações, ocasiona a própria crise, assim como a pessoa também começa a evitar lugares ou situações em que possivelmente experienciaram um ataque de pânico anteriormente.

Os ataques de pânico são consideravelmente comuns, atingindo cerca de 10% da população, podem ocorrer em qualquer transtorno de ansiedade, quase sempre em situações ligadas à característica central do transtorno, como por exemplo alguém com fobia de aranhas pode entrar em pânico ao ver uma aranha. E estes ataques de pânico recebem a denominação de esperados e na sua contramão tem-se os ataques de pânico inesperados, que são aqueles que aparentemente não apresenta um gatilho óbvio, aqueles que surgem espontaneamente.

Sintomas do Ataque de Pânico

De acordo com o DSM-5, os sintomas de um ataque de pânico são divididos em cognitivos e somáticos:

Sintomas Cognitivos

  • Medo de morrer
  • Medo de enlouquecer ou de perder o controle
  • Sensações de irrealidade, estranhamento (desrealização) ou desligamento de si mesmo (despersonalização)

Também é comum ver sintomas cognitivos como dificuldade em se concentrar, pensamentos catastróficos, preocupação excessiva e dificuldade em tomar decisões.

Sintomas Somáticos

  • Dor ou desconforto no peito
  • Tontura, sensação de instabilidade ou de desmaio
  • Sensação de sufocação
  • Ondas de calor ou calafrios
  • Náuseas ou desconforto abdominal
  • Sensações de anestesia ou parestesia
  • Palpitação ou aceleração da frequência cardíaca
  • Sensação de falta de ar ou asfixia
  • Sudorese
  • Tremores

Os sintomas emocionais do Transtorno de Pânico geralmente são acompanhados por sentimentos de culpa, tristeza, ansiedade, medo de perder o controle e sentimentos de desamparo. O indivíduo com Transtorno de Pânico tende a ter dificuldades em lidar com a incerteza e se sentir desprotegida.

Etiologia

Diversos fatores vêm sendo atribuídos à etiologia do TP, sendo que tanto fatores genéticos quanto ambientais. Pode ter origem em períodos de estresse prolongado e em qualquer momento da vida, como:

  • Problemas familiares
  • Mortes de entes queridos e/ou bichinhos de estimação
  • Crises financeiras
  • Isolamento social
  • Traumas na infância ou recentes
  • Divórcio
  • Conflitos pessoais
  • Violência

Shinohara (2005), trouxe em seu artigo o modelo de Barlow (1988) sugere que o ataque de pânico inicial é um alarme falso decorrente de estressores circunstanciais. Indica que pessoas que apresentem vulnerabilidade biológica à ansiedade, ou vulnerabilidade psicológica como fatores de personalidade (dificuldade em lidar com sentimentos, dependência, ansiedade de separação, passividade) e que tenham aprendido um conjunto de crenças disfuncionais, em situações de vida adversas, podem ter uma resposta independente inesperada. Estas sensações corporais que são evocadas como respostas, acabam associadas a qualquer mudança percebida no funcionamento geral do organismo. A interpretação destas sensações como perigosas e ameaçadoras, promovem à apreensão crônica e a hipervigilância – que colabora para a detecção de mudanças que são totalmente naturais ao funcionamento do organismo, mas que não são percebidas pela maioria das pessoas e ao percebê-las e hipervalorizá-las, ficam propensas a novos ataques. Quando não possuem recursos para lidar com essa experiência angustiante, o indivíduo começa com comportamentos de evitação. A ocorrência de um primeiro alarme falso poderia estabelecer uma oportunidade para que estímulos internos ficassem associados à sensação de ansiedade. Passariam estes a sinalizarem a possibilidade de um outro alarme e a dispararem a resposta aprendida de medo. A avaliação negativa que fazem de seus recursos pessoais para lidar com esta experiência, bem como as crenças que têm a respeito do perigo que as sensações representam, os colocam vulneráveis.
Como mencionado mais acima, a outra possível causa é a hereditariedade. Pessoas cujo um dos pais tem ou teve transtorno de ansiedade ou de depressão, têm mais possibilidade de desenvolver esse tipo de transtorno.

Tratamentos

Como podemos notar, o Transtorno de Pânico é um transtorno com múltiplas causas. O estresse, os transtornos de ansiedade pré-existentes, fatores biológicos, a herança genética e os fatores ambientais, podem contribuir para o seu desenvolvimento.
É de suma importância procurar ajuda profissional se você notar o surgimento de alguns sintomas para diagnóstico e tratamento preciso.
Geralmente o tratamento desse transtorno é feito através da psicoterapia e em alguns casos a terapia medicamentosa.
A Terapia Cognitivo-Comportamental, tanto na psicoterapia quanto na psicoterapia breve é a que possui mais resultados na intervenção dessa condição. Essa abordagem é considerada padrão ouro para o tratamento de diferentes transtornos mentais. É a mais testada nas pesquisas científicas as quais comprovam a sua eficácia, ou seja, é baseada em evidências científicas. A TCC entende que o ser humano possui Pensamentos Automáticos (mais fáceis de serem identificados, são espontâneos, repetitivos e não deliberados), Crenças Intermediárias (são as regras que regem a vida da pessoa) e Crenças Centrais (são mais profundas, por isso são as mais difíceis de serem identificadas. Tendem a ser absolutistas, rígidas e negativas. A TCC também busca verificar a Tríade Cognitiva, que se caracteriza na visão que o indivíduo tem de si, do mundo e do futuro. Na intervenção do Transtorno de Pânico, a TCC utiliza uma combinação de técnicas cognitivas e comportamentais, como:

  • Psicoeducação – que vai ajudar o paciente a entender sua condição, como se da a intervenção do tratamento, onde se inicia o processo de definição e conscientização da fonte dos sintomas de ansiedade e de pânico, introduzindo o papel dos pensamentos na manutenção essas emoções e suas sensações, assim como o papel da evitação e dos comportamentos de fuga na manutenção dos medos, que contribuem para a perpetuação do TP.
  • Relaxamento – técnicas de relaxamento e respiração contribuem para o controle da ansiedade e pânico, também auxiliam na prevenção de sua ocorrência.
  • Exposições – auxiliam pacientes com pensamentos exagerados e irracionais a serem capazes de encontrar soluções eficazes ou ajuda nos momentos de crise.

Em síntese, o psicoterapeuta e o paciente vão trabalhar juntos para: (1) identificar e reavaliar crenças e suposições negativas, (2) desenvolver técnicas de relaxamento, (3) ensinar técnicas de respiração profunda e (4) desenvolver habilidades de automonitoramento para lidar com o medo e a ansiedade.
Outra psicoterapia indicada para o TP é a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) – é uma das abordagens dentro da esfera cognitivo comportamental. Esta terapia tem como principal pilar a prática da atenção plena, pois tem como objetivo ajudar o paciente a ter maior consciência das suas emoções e pensamentos para, assim, ser capaz de reagir de acordo com os seus valores. Ensina o paciente que é possível atingir os seus objetivos a partir dos seus sentimentos. É focada em três áreas:

  1. Aceitação da realidade e das reações comportamentais e emocionais;
  2. Escolha de uma direção de acordo com os valores da pessoa;
  3. Comprometimento com a mudança.

E seus principais conceitos são o de Aceitação, indicando que a melhor forma de lidar com o que está sentindo é aceitar e com isso encontrar formas de trabalhar e resolver suas questões; Desfusão Cognitiva que vai auxiliar o paciente a mudar a maneira como interage com suas emoções e pensamentos, deixando de vivenciá-los como uma realidade, de que às vezes não passa de um pensamento e não uma verdade; Contato com o Presente, pois esse contato com o momento presente é essencial para se lidar com determinadas questões.
Cada um desses tratamentos tem seus próprios benefícios e, com isso, o paciente deve discutir com o psicoterapeuta qual é o mais indicado. Eles contribuem para a melhoria dos sintomas, aumento da autoconfiança e segurança, aumento da autonomia e uma melhor qualidade de vida.
Embora os tratamentos psicológicos possam ser úteis para controlar os sintomas do TP, é importante que o paciente reconheça que esses tratamentos são apenas o primeiro passo para a recuperação. O paciente também deve manter-se comprometido com o tratamento e trabalhar em conjunto com o terapeuta para alcançar o seu potencial máximo e se tornar capaz de viver sem que o medo seja um fator limitante, além de fazer certas alterações no seu estilo de vida e rotina.
Além da mudança da mentalidade e desenvolver uma mentalidade mais positiva, o paciente deve praticar exercícios físicos regularmente, pois auxiliam na regulação do humor e emoções. Também liberam as tensões do corpo e acalmam a mente, ajudando a relaxar.
Manter a organização também contribui para a diminuição da ansiedade, insegurança e estresse.

O que fazer durante uma crise de Pânico?

É possível que as tentativas de controlar uma crise de pânico acabem falhando, técnicas de relaxamento e respiração podem minimizar os sintomas de ansiedade. Trabalhar a respiração é essencial durante um ataque de pânico. A respiração em 4 tempos auxilia bastante durante a crise: inspire profundamente pelo nariz, segure a respiração por 4 segundos, depois solte o ar e conte mais 4 segundos antes de voltar a inspirar profundamente.
Caso tenha um contato de confiança, procure conversar com esta pessoa ou alguma outra pessoa que esteja próximo de você no momento da crise.
Sem essa possibilidade de bate-papo, procure contar a quantidade de objetos de uma determinada cor existente no ambiente em que se encontra.

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Referências Bibliográficas

  1. American Psychiatric Association (APA). DSM V: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª ed., texto revisado. – Porto Alegre: Artmed; 2023.
  2. MANFRO, Gisele Gus; HELDT, Elizeth; CORDIOLI, Aristides Volpato; OTTO, Michael W. Terapia cognitivo-comportamental no transtorno de pânico, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/KtnLKCSvtGS95dsLytgTSNz/ (último acesso em 31/07/2023).
  3. Manual MSD – versão para profissionais da saúde. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiqui%C3%A1tricos/ansiedade-e-transtornos-relacionados-a-estressores/ataques-e-transtorno-de-p%C3%A2nico#v1025504_pt (último acesso em 31/07/2023).
  4. SALUM, Giovanni Abrahão; BLAVA, Carolina; MANFRO, Gisele Gus. Transtorno de Pânico, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rprs/a/VgdKjMfjhGfGcFTdBgYCq6G/ (último acesso em 31/07/2023).
  5. SHINOHARA, Helene. Transtorno de pânico: da teoria à prática, 2005. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872005000200012 (último acesso em 31/07/2023).

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