Limites como um ato de amor

O limite pode ser entendido como aquilo que determina uma extensão espacial ou separa extensões. Também pode ser caracterizado como um momento, espaço de tempo que determina uma duração ou separa durações. É o que assinala o princípio e, também, o fim. Na sociedade, abordamos limites em vários sentidos: espaço físico, limite de tempo, limite em questão de superação, limites com relação a restrição/proibição, que acabam caindo na vertente da moral, da liberdade, do dever.

Se pararmos para analisar, a natureza inteira nos apresenta – através da alternância das estações, da mescla das temperaturas –, uma mescla de limitado e de indefinido. Isso por si só já dita a importância da moderação.

A presença da medida no agudo e no grave, na velocidade, no tempo, produz o limite e, graças a isso, tem-se a melodia e ritmo, ou seja, tem-se a música.

Pode-se dizer que o primeiro limite que percebemos é no ventre de nossas mães, quando um movimento é limitado com uma barreira física. Apesar de ser também uma contenção, é esse limite que nos dá a sensação de segurança, conforto e proteção.

A nossa pele nos delimita, é o nosso limite com o externo. Nos separa dos outros e do restante que constitui o ambiente.

A própria fome não pede para ser atenuada por uma quantidade ilimitada de alimento. Pelo contrário, a ingestão desmedida gera indigestão, desconforto, dor.

O excesso, o desequilíbrio, o insaciável, o desenfreado, é que gera uma inquietação, uma ansiedade devido a uma busca indefinida, cujo resultado é uma satisfação sempre insatisfeita ao tentar satisfazer, continuamente, um desejo inextinguível – como disse Platão.

E nesse âmbito, Epicuro – denominado como o “Profeta do Prazer” – na compreensão do prazer, chega à conclusão de que por sua própria natureza, é limitado.

A satisfação é obtida com o suficiente. O prazer se encontra no limite.

Papel do Limite no desenvolvimento

É fundamental para o desenvolvimento a estipulação de regras e limites, e o cumprimento de ambos, pois facilita a aquisição da competência social, afinal é bem sabido que para se conviver em sociedade é preciso seguir e respeitar as normas impostas por ela.

Relações humanas são pautadas por normas e são estas que irão definir a existência do ser humano como ser individual e social. A falta de regras e limites ou até mesmo uma forma repentina de serem estipulados, pode gerar desvalorização do eu, exclusão social, tendência a revoltas, e gerar uma possível condição de violência.
Regras e valores devem ser transmitidos no sentido de reciprocidade, com vivências de cooperação. As regras e limites ligados a estes valores, fazem com que a criança cresça tendo mais consciência de que o mundo o qual ela vive, é também compartilhado por outras pessoas. Para que haja harmonia, faz-se necessário o respeito mútuo, responsabilidades e deveres a serem cumpridos.

Vivemos através de inter-relação com os demais e alguns atos, muitas vezes não pensados, podem impactar de maneira negativa todos os envolvidos, gerando desordem e problemas de ordem pessoal e social.

Os limites e regras, quando bem estipulados, podem potencializar a autorregulação – promovendo relacionamento adequado em vários contextos de sua vida, assim como na estruturação das emoções. Pois, sabendo reconhecer o próprio limite, acaba conseguindo reconhecer o limite do outro, o que contribui para a existência do respeito – além de auxiliá-los a começar a lidar com as frustrações.

Criança aprende muito através da observação e imitação dos comportamentos das figuras maternas e paternas, com as reações e as respostas destes perante suas atitudes, por isso é muito importante se atentar na maneira como se relacionam dentro de casa, afinal, a criança se relaciona com o mundo de acordo com a maneira como se relaciona em casa.

Muitas vezes elas podem demorar para aprender um novo comportamento e podem também acabar imitando comportamentos inadequados de seus pares para poderem pertencer ao grupo, por isso é importante ter paciência, manter a consistência de suas regras e limitações.

Contudo, é fundamental que a criança saiba que mesmo cometendo erros, ainda terá o apoio dos adultos, pois isso contribui para promover sua autoconfiança e segurança. É importante que se procure enfatizar mais suas emoções do que seu comportamento.

Algumas dicas para o estabelecimento de limites com seus filhos:

  • Seja o exemplo a ser seguido, pois, como mencionado acima, crianças aprendem muito através da observação do comportamento dos adultos;
  • Estabeleça condições e consistência no que foi acordado;
  • Não fique repetindo as regras a todo o momento, para não gerar o efeito inverso, abrir espaço para confusão de papéis. Isso também irá ajudar a criança a criar a responsabilidade e ser uma pessoa de palavra;
  • Adapte as regras e punições conforme a faixa-etária e as necessidades do seu filho;
  • Explique que as regras são válidas não só em casa e reforce que determinada atitude não deve ser praticada em nenhum outro lugar;
  • Divida experiências e troque pontos de vista com eles;
  • Aprenda a ouvir seus filhos e compreender suas emoções;
  • Mantenha diálogo aberto;
  • Seja presente na vida de seus filhos.

Ademais, a Psicoterapia e a Orientação Parental, pode contribuir muito na identificação de padrões de comportamentos disfuncionais, na sua reestruturação, na construção e estabelecimento de limites.

Por exemplo, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), atua na identificação de crenças, comportamentos e hábitos disfuncionais que acabam sendo a origem de muitos problemas e dificuldades relacionais; utiliza de aspectos cognitivos para melhor compreender as dificuldades enfrentadas pelos pais em seu processo de educar, assim como na proteção das relações interpessoais positivas, e assim intervir na mudança de padrões comportamentais. Ou seja, a TCC busca orientar os pacientes que muitos dos sofrimentos podem ser evitados com as mudanças de pensamento disfuncionais,

tomada de decisão e consequentemente mudança de comportamento.

Benefícios dos Limites para a saúde mental

Apesar de não parecer, limites oferecem pontos de conexão através de regras saudáveis nas relações pessoais e profissionais, pois passa a sensação de segurança de que o respeito mútuo irá permanecer.

Numa relação amorosa também é importante que se estabeleça e se respeite certos limites.

Além disso, o limite evita que a gente doe ao próximo mais do que nós temos, mantendo as energias necessárias para o nosso autocuidado.

O limite também contribui para a redução de:

  • Agitação;
  • Insônia;
  • Ansiedade;
  • Irritabilidade;
  • Sobrecarga;
  • Estresse;
  • Baixa autoestima;
  • Insegurança;
  • Comportamentos compulsivos;
  • Desconforto.

Ficou com alguma dúvida ou gostaria de entender um pouco mais sobre como estipular limites? Entre em contato através do preenchimento do formulário ou do WhatsApp para agendar sua consulta.

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