Depressão é um distúrbio afetivo manifestado por sintomas emocionais, comportamentais, cognitivos, psicológicos e físicos, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si, interferindo em todos os aspectos da vida do indivíduo.
Apesar de pesquisas revelarem que sua incidência é em pessoas entre 20-40 anos, a depressão pode ocorrer em todas as idades, além de aparecer em todas as classes sociais e em ambos os sexos.
Antigamente considerava-se a depressão como uma alteração na serotonina, dopamina ou noradrenalina, que exercem influência sobre o humor. Hoje a depressão é considerada a soma de fatores genéticos, biológicos e ambientais, o que faz-se necessário compreender o quanto o estilo de vida da população vem contribuindo decisivamente para o aumento da depressão nas últimas décadas.
Por exemplo, a falta de vínculos afetivos torna os indivíduos mais suscetíveis aos transtornos mentais, além, é claro, de outros problemas como desemprego, perda de pessoas próximas e/ou animais de estimação, mudanças repentinas, entre outros. Somado a isso, há o fato de que cada vez mais a vida vem exigindo por sucesso, dinheiro, entre outros elementos que contribuem para o aumento considerável do nível de estresse que está diretamente relacionado ao quadro depressivo naqueles suscetíveis a essa morbidade.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 2030, a depressão será uma doença comum, acometendo mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde. Sabe-se que a depressão sempre existiu, a diferença é que antigamente não era devidamente diagnosticada, contudo, apesar do maior acesso à informação, a depressão ainda é pouco tratada.
Tipos de Transtornos Depressivos
- Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor
- Transtorno Disfórico Pré-Menstrual
- Transtorno Depressivo (incluindo episódio depressivo maior)
- Transtorno Depressivo Persistente
- Transtorno Depressivo Devido a Outra Condição Médica
- Transtorno Depressivo Não Especificado
- Transtorno Depressivo Especificado
A característica comum desses transtornos é a presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhando de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo. Já o que difere entre eles são os aspectos de etiologia presumida, duração e momento.
O transtorno depressivo maior representa a condição clássica desse grupo de transtornos, com episódios de longa duração e altas taxas de cronicidade e recorrência. Ele pode ocorrer de forma única; porém, o tempo de episódio normalmente é tão longo que é difícil diagnosticar se são vários episódios ou sintomas de melhora em um único episódio.
Esse transtorno pode ser classificado como:
Leve: o indivíduo sofre com os sintomas e diminui seu rendimento, mas consegue manter suas atividades sociais e seu trabalho, com grande esforço.
Moderado: o indivíduo começa a falhar em seus compromissos, pode faltar ao trabalho e evita ocasiões de lazer e contato social, pois esse grau de depressão conduz ao isolamento.
Grave: o indivíduo geralmente abandona qualquer tipo de atividade, isola-se totalmente e permanece sentado ou deitado, sem reagir a nenhum estímulo. Os casos graves ainda podem ser com ou sem sintomas psicóticos, com associação aos sintomas depressivos.
É importante diferenciar o transtorno depressivo da tristeza. A tristeza é um sentimento universal, de característica pontual e isolada. A pessoa que está triste geralmente correlaciona o sentimento a algum evento, enquanto na depressão, essa correlação não é assim tão simples de ser estabelecida, podendo ser devido a vários fatores ou a nenhum específico.
O luto também deve ser diferenciado, pois ele pode induzir a um grande sofrimento, mas não costuma provocar um episódio depressivo maior.
Alguns dos Principais Sintomas dos Transtornos Depressivos
- Melancolia, tristeza
- Choro recorrente
- Irritabilidade constante
- Angústia e ansiedade
- Desespero e desesperança
- Dificuldade em sentir prazer nas coisas normais da vida
- Fadiga, cansaço
- Insônia ou hipersonia
- Perda ou aumento do apetite
- Dificuldade na higiene pessoal
- Negativismo e pessimismo com relação a tudo
- Ideação de morte, desejo de desaparecer
- Dificuldade de atenção e concentração
- Déficit secundário de memória
- Sentimento de baixa autoestima
- Sentimento de dependência e vergonha
- Lentificação de pensamento
Para concluir, conhecer suas causas e sintomas e, aceitá-la como uma doença e tratá-la adequadamente são ações não somente necessárias como indispensáveis.
Vale a ressalva de que sempre que houver o aparecimento desses sintomas, é importante que se busque por um profissional da saúde mental para o fechamento do diagnóstico e encaminhamento para o tratamento adequado. Além da psicoterapia, em alguns casos o tratamento medicamentoso com o psiquiatra faz-se necessário. Mudança no estilo de vida (estabelecer uma rotina, prática de exercícios regulares, alimentação saudável, manter projetos, …) e o amparo de familiares/amigos; também são medidas complementares que auxiliam na diminuição dos sintomas.
Apesar de existir mais informações sobre depressão, ainda hoje há muito preconceito sobre seu diagnóstico e tratamento, pois é comum ouvir que não passa de “frescura” ou que o indivíduo com esse transtorno, pode sair dessa situação sozinho se quiser. No entanto, estima-se que ela é a principal causa de suicídio, sendo responsável por 800 mil mortes no mundo.
A depressão é doença e deve ser tratada como tal.
Referências
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3. American Psychiatric Association (APA). DSM IV: Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders. 4th version. Washington (DC): American Psychiatric Press; 1994.
4. American Psychiatric Association (APA). DSM V: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª ed., texto revisado. – Porto Alegre: Artmed; 2023.
5. Dalgalarrondo P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul; 2000.


